Produção de trigo no Paraná pode fechar em 3,3 milhões de toneladas

Ainda de forma tímida – e num cenário de altos e baixos – o trigo começa a ser colhido no Paraná com expectativa de boa produção e qualidade do cereal. Os produtores do Norte do Estado são os primeiros a entrar com as colheitadeiras em suas áreas, torcendo sempre para que a chuva na colheita e a geada tardia não deem as caras neste momento tão crucial para a lavoura. Segundo dados do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria de Estado da Agricultura e Abastecimento (Seab), até o momento não há nenhuma área efetivamente ruim em todo o território paranaense, mas alguns produtores já relatam quebra de produtividade. A colheita ganha ritmo mais intenso a partir da próxima semana.
O trigo vem driblando situações perigosas desde o início da safra 2015/16 e saiu relativamente ileso de algumas situações climáticas preocupantes. Logo em abril a seca atrasou o plantio, o que já causou certa tensão aos produtores. Em maio, entretanto, a chuva auxiliou no avanço rápido da semeadura. “Na sequência, tivemos um período mais seco no final de maio, mas logo se normalizou sem grandes problemas. Também tivemos um frio na região Sul, mas que acabou não se concretizando”, explica o técnico do Deral especializado na cultura, Hugo Godinho.

Tais escapadas fazem com que as estimativas de produção continuem em bons patamares, pelo menos até agora. A produção pode fechar em 3,3 milhões de toneladas, alta de 1% comparado ao ano passado. A produtividade deve ultrapassar a marca de três mil quilos por hectare, elevação de 25%. Já á área sofreu redução de 20%, fechando em 1,08 milhão de hectares. “A região Norte se livrou das situações de frio e resta agora as geadas tardias que ainda podem surpreender no Sul e Sudeste. Além disso, temos toda a suscetibilidade das chuvas na colheita, que podem influenciar na produtividade e qualidade do cereal. No caso do grão mais maduro, a chuva pode acabar tirando a densidade dele.”

A preocupação tem histórico. Afinal, foi justamente o aguaceiro na colheita que atrapalhou a safra de 2015. “O lado positivo é que em ano de La Niña as chuvas não são tão intensas. O que esperamos é que continue sem precipitações em volumes expressivos e por longos períodos. Entretanto, ainda é muito cedo para saber se conseguiremos atingir todas as expectativas da safra”, diz Godinho.
Mesmo se as safras do Paraná e do Rio Grande do Sul fecharem cheias – os dois estados respondem por 90% da produção nacional -, é necessário a importação de pelo menos cinco milhões de toneladas para suprir as necessidades industriais do País. Para Godinho, entretanto, se tudo seguir como está, o Estado entregará um cereal de boa qualidade para a indústria. “Argentina está com área recorde e a safra do Rio Grande do Sul será boa. Em relação à qualidade, hoje já temos diversas empresas no Paraná que só trabalham com produto nacional. Isso já é possível”, complementa Godinho.