Mel: Vale do Ribeira supera produção de 8 toneladas ao ano

Apicultores do Vale do Ribeira encerraram 2019 com produção de 8,2 toneladas de mel silvestre. O resultado foi celebrado por produtores da Casa do Mel, que, depois de cinco anos em subutilização, foi totalmente reformada com o apoio do Legado das Águas, em parceria com o Instituto Votorantim, e o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), por meio do Programa ReDes – Projeto Mel do Vale, e voltou a operar. Com capacidade para processar oito toneladas de mel ao mês, a reinauguração da unidade ocorreu em abril de 2019 e foi essencial para que a Apivale (Associação de Apicultores do Vale do Ribeira), em Juquiá, desse um importante passo para o fortalecimento da apicultura na região: a busca por certificação.

“É com alegria que vemos a Casa do Mel reformada e os apicultores aptos para solicitar importantes selos que irão assegurar a qualidade do mel fabricado naquela região e, consequentemente, abrir portas no mercado”, destacou Daniela Gerdenits, consultora de Responsabilidade Social da Reservas Votorantim.

A Casa do Mel foi implantada em 2008, por meio de projeto desenvolvido entre a Caixa Econômica Federal e uma empresa seguradora, com o objetivo de aumentar a produção de mel silvestre aproveitando a vasta área da Mata Atlântica. Porém, há mais de cinco anos estava subutilizada. Este quadro começou a ser revertido há pouco mais de dois anos, quando os apicultores passaram a integrar o programa ReDes, realizado pelo Legado das Águas e executado pelo Instituto Meio.

“2019 foi surpreendente. Nossa produção cresceu muito e a expectativa é que cresça ainda mais. Temos incentivo, o que antes não tínhamos, temos alimento para as abelhas para aumentar a produção e temos a chance de conseguir certificação, o que vai agregar valor ao nosso produto. Muita coisa mudou e agora apicultores estão procurando a associação para fazer parte. Se tudo der certo, se continuarmos caminhando como estamos, a expectativa é que a nossa produção atinja 10 toneladas na próxima colheita”, comemorou Joaquim Coelho Filho, presidente da Apivale.

Em outubro do ano passado, a associação protocolou toda a documentação para obter o selo do SISP (Serviço de Inspeção de Produtos de Origem Animal), do governo do Estado de São Paulo. A previsão é que os selos sejam emitidos no início de 2020.

Vendas

A expectativa é que, com a certificação, produtores possam não apenas aumentar as vendas coletivas como também participar de concorrências públicas. Em 2019, foram realizadas duas vendas coletivas de mel. Uma delas ocorreu na Exposição Agropecuária de Juquiá, evento na cidade que teve três dias de duração. Já a segunda venda coletiva foi realizada na sede do Governo de São Paulo, durante o lançamento de um programa Vale do Futuro. Em duas horas de evento, a Apivale faturou em torno de R? 1,4 mil, conforme dados do Instituto Meio.

Conservação ambiental

Realizado por meio de uma parceria entre Legado das Águas, Instituto Votorantim, BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) e executado pela consultoria Instituto Meio, o programa ReDes – Projeto Mel do Vale, além de gerar renda e desenvolvimento aos produtores da região, ainda ajuda na proteção de uma das espécies mais importante para o meio ambiente e uma das mais ameaçadas também: as abelhas.

Com 21% da Mata Atlântica na região, a maioria protegida por parques e reservas, produtores viram na floresta uma chance de gerar renda sem precisar agredir ao meio ambiente. Pelo contrário, ajudando na sua conservação. Com a polinização das abelhas, a produção de mel silvestre não apenas ajuda na conservação da mata nativa como também colabora para as futuras gerações. “Hoje, não se pode pensar em conservação ambiental sem pensar nas abelhas”, reforçou o presidente da Apivale.

De acordo com a Embrapa, cerca de 70% das plantas de importância para a alimentação humana dependem de polinização. Mesmo assim, tem se registrado redução da população de abelhas por todo o mundo