Cultivo de oliveira desponta como atividade rentável no Espírito Santo

O cultivo de oliveira ganha cada vez mais espaço nas propriedades rurais de Santa Teresa, no Espírito Santo. Sob as orientações do Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper), 18 produtores já iniciaram o plantio das primeiras seis mil mudas. A expectativa é de que, em poucos anos, Santa Teresa seja o primeiro município capixaba a produzir azeite de oliva.

“A atividade, em caráter econômico, é pioneira no Estado. Santa Teresa vai produzir o primeiro azeite puro do Espírito Santo. A atividade oferece uma altíssima rentabilidade. A planta começa a produzir a partir dos cinco anos, e ganha estabilidade de produção a partir do 10 anos, atingindo até 10 toneladas de frutos por hectare.”, disse Carlos Alberto Sangali de Mattos, extensionista do Incaper.

“O cultivo de oliveiras é uma atividade que, por ser floresta, permite que o produtor trabalhe a questão da sustentabilidade. Isso sem falar na excelente alternativa para diversificar a produção. As regiões mais altas, acima de 800 metros, estão sendo ocupadas por eucalipto ou café arábica. A oliveira é uma opção de diversificação. O custo de implantação pode até ser um pouco mais alto. Mas o retorno a longo prazo compensa”, acrescentou Sangali.

Planejamento
O trabalho com oliveiras começou com bastante antecedência e muito planejamento. Há 4 anos o Incaper implantou uma unidade de observação no município, com 40 plantas de quatro variedades diferentes. O cultivo foi monitorado durante todo este período. “Fomos observando o desempenho das plantas das nossas condições. Se ia produzir, se ia ser resistente a pragas e doenças. Notamos vários pontos positivos e resolvemos estimular os produtores a entrar na atividade”, disse Sangali.

Além da unidade de observação, foram feitas diversas reuniões e excursões técnicas a unidades de demonstração. O objetivo foi justamente mostrar aos produtores a viabilidade desta atividade, que desponta como mais uma excelente opção de renda para o produtor. Nesta primeira etapa, 18 produtores plantam 30 hectares com seis mil plantas das quatro variedades. Em 2017, devem ser plantadas mais seis mil mudas em 30 hectares. Em 2018, mais oito mil mudas, totalizando 20 mil mudas em 100 hectares. A expectativa é de que, até o final do plantio, entre 60 e 70 produtores rurais sejam envolvidos na atividade.

As plantas devem começar a produzir em cinco anos. A expectativa é de que a primeira produção de azeite comece em 2020. O próximo passo já foi iniciado: esboçar uma agroindústria, a ser implantada em 2019 (antes da primeira safra), a fim de produzir o primeiro azeite puro genuinamente capixaba.

Parceria
Para iniciar o cultivo de oliveira no Espírito Santo, o Incaper contou com a experiência do estado vizinho, Minas Gerais, e de outros parceiros. “Quando se fala em oliveira, a Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig) é detentora do conhecimento técnico, e referência em toda a América Latina. Fizemos um estudo de um ano junto à Epamig, mostrando clima, solo, relevo, temperatura, precipitação e outros aspectos técnicos que poderiam interferir na cultura. Depois, a questão fitopatológica foi discutida junto com a Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), da Universidade de São Paulo (USP), que faz conosco o monitoramento de pragas e doenças. O Incaper viabilizou o envio de mudas, o produtor pagou por elas e a Prefeitura de Santa Teresa cuidou do transporte de Minas até aqui”, frisou Sangali, destacando a importância das parcerias para a viabilidade do projeto.