quinta, 30 outubro 2014
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Abelhas de aluguel

Aprove ImagemProdutores de maçã locam colméias para assegurar polinização eficaz e obter mais qualidade e produtividade. Nesta primavera, 1 bilhão de abelhas pousam de flor em flor nos pomares. A maçã que você come não teria a viscosidade, o tamanho, o sabor e até o preço que tem não fossem as abelhas. Sim, a maçã é um dos

muitos vegetais que só frutificam por causa dos insetos, responsáveis pela polinização das flores. Poucos sabem, mas as abelhas têm papel fundamental nos 6,2 mil hectares de macieiras da região de Vacaria. Além do vento e de insetos nativos, na primavera a polinização ganha o reforço de 15,5 mil colméias. Cada hectare necessita de duas a três caixas de abelhas para assegurar uma polinização eficaz. É abelha sem fim: cada caixa comporta de 60 mil a 80 mil insetos. Nesta primavera, portanto, aproximadamente 1 bilhão de abelhas sobrevoam a vastidão de pomares de Vacaria. As colméias têm procedência diversa. Há apicultores gaúchos e catarinenses especializados na produção de abelhas de aluguel. O manejo correto dos ninhos durante o outono e o inverno assegura colméias sadias e populosas na primavera, estação em que a abelha voa até três quilômetros atrás de pólen e néctar, matéria-prima do mel. Pousando de flor em flor, a abelha recolhe pólen para levar às caixas. Nesses vôos, porém, ela também deixa nas flores os fragmentos de grãozinhos recolhidos anteriormente, provocando a necessária polinização, ou o ato sexual das plantas. É daí que germinarão sementes e, posteriormente, frutos. Os apicultores que alugam colméias para polinizar macieiras não visam o mel que a abelha, em tese, produziria ao visitar as flores. Explica-se: a flor de macieira não é melífera, ou seja, produz pouquíssimo néctar, substância que a abelha transforma em mel. Os apicultores miram mesmo é o dinheiro do aluguel. Nesta safra, cada colméia é alugada por R$ 40 a R$ 50. O valor do mercado depende do tamanho da florada, portanto o aluguel segue a cartilha da lei da oferta e da procura: pomares muito floridos precisam de mais abelhas, elevando o preço do aluguel. Alugar colméias é negócio relativamente seguro. Há plantas que necessitam do reforço das abelhas para polinizar, assegurando maior produtividade e resultando em frutas com mais qualidade. No caso das macieiras, quanto mais polinização, melhor, pois o processo resultará em mais frutos. Com mais frutos, o produtor poderá se dar ao luxo de descartar as maçãs pequenas, feias ou defeituosas. Esse processo, chamado de raleio, permite qualificar a safra. Sem uma polinização eficiente, o resultado da safra pode ser desastroso: em pomar com frutos escassos não dá para fazer raleio, pois a produtividade ficaria ao rés do chão. José Sozo começou a plantar macieiras em 1993. A primeira colheita foi em 1997, já com auxílio de abelhas. Atualmente, Sozo cultiva 35 hectares de gala e fuji. Para repetir a safra do ano passado (1,5 mil toneladas), há algumas semanas espalhou 105 colméias pelo pomar. A intenção é manter a produtividade em 45 toneladas por hectare. - Colocamos as abelhas para melhorar o trabalho de polinização e aumentar a qualidade e a produtividade da macieira. Neste ano, Sozo pagou R$ 45 peloaluguel de cada colméia, totalizando R$ 5 mil. Cada hectare recebe três caixas. Os insetos vão permanecer na propriedade por um mês. Este endereço de e-mail está protegido contra spam bots, pelo que o Javascript terá de estar activado para poder visualizar o endereço de email SAIBA MAIS Vacaria possui 6,2 mil hectares de macieiras. Cada hectare necessita, em média, de 2,5 colméias para que a polinização seja eficaz. Nesta primavera, 15,5 mil caixas de abelhas foram espalhadas pelos pomares. No total, aproximadamente 1 bilhão de abelhas sobrevoam as macieiras polinizando as flores. Cada colméia é alugada por R$ 40 a R$ 50 por florada. A florada dura cerca de 1 mês. A polinização A abelha procura flores atrás de néctar, líquido adocicado que integra sua dieta. Ao sugar o néctar, o inseto esbarra nas anteras, elemento masculino da flor, e fica com o corpo polvilhado de minúsculos grãos de pólen. Ao visitar a flor seguinte, a abelha transporta esse pólen junto, mas alguns grãos se desprendem de seu corpo e atingem o estigma, elemento feminino da flor. O encontro do pólen das anteras com o estigma provoca a fecundação da flor. Esse processo chama-se polinização. Após a fecundação, as células do ovário da flor se desenvolvem, geram frutos e sementes que, germinando, fazem nascer novas plantas, garantindo a continuidade da vida vegetal. Fonte alternativa de renda O negócio tem atraído empreendedores. O pecuarista Cássio Borges Ferreira viu no aluguel de colméias uma fonte alternativa de renda. Estudante da unidade vacariense do Curso Técnico em Agropecuária da Escola Agrotécnica Federal de Sertão, de Passo Fundo, Ferreira cursou apicultura na Emater e pôs mãos à obra. O rapaz construiu 100 caixas para capturar abelhas. Na semana passada, 20 caixas já estavam ocupadas. Até o final de novembro, quando termina a temporada de captura de enxames errantes, Ferreira pretende ter 70% das colméias habitadas. - Sempre fui curioso, simpatizo com a apicultura. Depois do curso, o que me chamou a atenção foi o lucro, pois a apicultura não demanda tanta mão-de-obra - declara. O neo-apicultor enxerga adiante. Suas abelhas estarão em ponto de bala só na próxima florada das macieiras, na primavera de 2009. Até lá, Ferreira terá de ter paciência. Nos meses de dormência da colméia, terá de manejar o ninho para obter uma população maior, incentivando a postura de ovos e fortalecendo as abelhas com nutrientes artificiais, já que no outono e no inverno há escassez de flores na região. Ferreira investe na locação, não em mel. Na hipótese de suas 100 colméias estarem habitadas em 2009, receberá R$ 4,5 mil pelo aluguel. Futuramente, pretende ingressar no universo na apitoxina, mercado da transformação do veneno da abelha em substâncias medicinais. A técnica, porém, ainda patina no Brasil. Transporte de enxames O aluguel de colméias provoca um movimento incomum em direção a Vacaria. O presidente da Federação Apícola do Rio Grande do Sul e professor de Apicultura da Faculdade de Agronomia da UFRGS, Aroni Sattler, viajou diversas vezes de Porto Alegre à Serra para auxiliar no manejo das colméias instaladas nos pomares. O vaivém de Sattler resultou na entrega de 600 caixas de abelhas para os produtores de maçã. O professor trouxe as caixas de caminhão e até em porta-malas de carros. Tamanho esforço é explicado, em parte, pela inexperiência dos apicultores gaúchos. Poucos investem na polinização de pomares, diferentemente de Santa Catarina, um dos Estados pioneiros nesse negócio. Vacaria, por sinal, aluga muitas colméias de Lages. O RS possui 60 associações de apicultores e 40 empresas que trabalham com apicultura (mel, pólen, própolis, cera, etc). Há cerca de 28 mil apicultores em atividade e 400 mil colméias ativas. No pomar Os produtores de macieiras alugam colméias porque não é economicamente vantajoso criar abelhas no próprio pomar. Alguns motivos: - Os pomares, em geral, localizam-se em regiões descampadas, sem matas ou flora propícias para a alimentação das abelhas na época de entressafra - A floração da macieira é curta e sem néctar (a abelha precisa de néctar para complementar sua alimentação e produzir mel) - As abelhas sofrem muito durante o inverno - Se houver outra fonte melífera (flores com néctar), mesmo mais longe, as abelhas ignoram a flor da macieira Negócio ainda engatinha em Caxias Em Caxias, o aluguel de colméias engatinha. Oficialmente, somente um apicultor disponibiliza enxames para polinização. Nesta primavera, Gilberto Corso alugou 170 de suas 550 colméias para produtores de maçã de Vacaria e do Apanhador, em São Francisco de Paula. Corso acertou na decisão. A chuva e o frio que assolam esta primavera são péssimos para as flores nativas. Poucas flores resultam em pouco mel. A safra deficitária refletirá negativamente nos lucros do apicultor. O aluguel de abelhas, contudo, independe dos humores do clima. Faça chuva, faça sol, as maçãs vão florescer, e em novembro o dinheiro do aluguel entrará na conta de Corso. Segunda à noite, 150 colméias de Corso retornaram de Vacaria após um mês de polinização. A Associação Caxiense de Apicultores (Ascap) possui 200 associados, mas o número de apicultores é bem superior. A estimativa é de que existam cerca de 12 mil colméias espalhadas pelo município. - A apicultura existe em praticamente todas as propriedades rurais de Caixas, mas mais como hobby e fonte alternativa de renda - explica o presidente da associação, Antônio Viapiana. A Ascap está empenhada em disseminar a apicultura e reunir os adeptos sob um mesmo teto, na nova sede da entidade, em fase de conclusão na Perimetral Sul. O endereço será mais que uma sede: terá todo o aparato exigido para a extração e manufatura do mel. A chamada Casa do Mel terá o principal requisito legalmente exigido: será avalizada pela Inspeção Sanitária. Outra frente de disseminação e profissionalização da apicultura são os cursos da associação. Em 15 anos ocorreram 39 cursos. Atualmente há um em andamento, freqüentado por cerca de 20 alunos, entre novatos e gente com alguma experiência com abelhas. Os cursos aliam conhecimento teórico ao prático. Geralmente ocorrem na primavera, época em que as abelhas estão no auge da atividade. Informações: 3223.8780.
Fonte: O Pioneiro


 
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