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Aquecimento global e produção agrícola

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Num exercício de imaginação, trazendo o que o livro descreve para a realidade mato-grossense (que não é citada especificamente na obra), dá para conjecturar que este Estado, campeão nacional na produção de soja, milho e detentor do maior rebanho de gado de corte do país, também tenha sofrido inibição em seu processo desenvolvimentista e que poderia ser maior, se não fora a existência de políticas alarmantes e restrititivas emanadas, lá atrás, pelo governo norte-americano.

Acabei de ler um livro instigante e que constitui um raro, e corajoso contraponto à tese dominante de que a Terra está ficando mais quente a cada ano que passa, em função da ação degradadora humana como desmatamentos e emissão descontrolada de gases poluentes, que estariam provocando buracos na camada protetora de ozônio que envolve o planeta.

Escrito pelo professor Gustavo Macedo de Mello Baptista, sob o título: “Aquecimento Global: Ciência ou Religião?”, em que pese os muitos dados, pesquisas e estudos, trata-se de uma obra “maldita” aos olhos dos fóruns globais que debatem o aquecimento. Entretanto, vale a pena ser lida, embora seja uma voz solitária nesse universo ambientalista, mesmo sendo de acadêmico com comprovada expertise no meio em que atua e não ecoada por um leigo qualquer.

Além do mais, a história da humanidade está repleta de pensadores e teóricos que remaram contra maré dos conceitos dominantes de sua época, e tempos depois, em muitos casos, décadas e séculos após, comprovou-se o acerto de suas teorias. Por que não incluir Gustavo de Mello Baptista nesse rol de discordantes de pensamentos e teses divulgadas massivamente que chegam a lembrar “lavagens cerebrais”?

Na contramão, inclusive da maioria dos cientistas, Mello Baptista, que leciona na Universidade de Brasília (UnB), o curso de Gestão Ambiental no Programa de Pós-Graduação em Geociências Aplicadas, não só contesta a tese do “aquecimento global”, como afirma que a Terra pode estar sendo submetida a um novo processo cíclico de glaciação. Demorado, mas em andamento, segundo ele.

Observando os invernos mais rigorosos que estão ocorrendo em grande parte do mundo, a exemplo de fortes nevascas nos Estados Unidos como nunca vistas na história recente, as observações aparentemente contraditórias (por contraporem a corrente dominante sobre temas ambientais) levantadas pelo professor da UnB não deixam de causar uma ponta de dúvida: se ao invés do propalado aquecimento não estaria havendo o resfriamento do globo terrestre, conforme já ocorreu em períodos anteriores da história da humanidade?

Gustavo Macedo não é nenhum curioso ou neófito em assuntos ecológicos, ele é bacharel licenciado em Geografia, tem mestrado em tecnologia Ambiental e Recursos Hídricos e doutorado em Geologia, apenas é uma voz discordante na comunidade científica mundial quando se trata de abordar questões polêmicas entre o aquecimento versus resfriamento.

Quanto ao alardeado esquentamento do planeta que estaria exagerado, ele defende que a atividade humana derivada da produção econômica, por mais que tenha se expandido e ainda possa crescer, é incipiente e seria incapaz, portanto, de provocar uma catástrofe no clima, atribuindo a outros fenômenos naturais, como vulcões, por exemplo, e explosões solares, uma capacidade de influenciar a elevação de temperaturas a níveis insuportáveis para a sobrevivência dos humanos, da flora e de grande parte da fauna.

Mais grave ainda: na sua avaliação, o professor denuncia que a onda do “aquecimento” teria motivações comerciais e poucas sustentações científicas. Segundo ele, teria começado a prosperar quando George Bush era presidente dos Estados Unidos. E um dos pivôs da tese seria, entre outras motivações de ordem econômica, o início da produção em alta escala, no Brasil, do álcool usado como combustível alternativo ou consorciado à gasolina.

Nesse aspecto, não se pode desconhecer o forte interesse da família Bush na questão petrolífera, um mercado em que os Estados Unidos, através de suas grandes empresas no setor, domina mundialmente. Já a tecnologia da produção do álcool carburante não era, como não continua sendo, o ponto forte da gigantesca economia norte-americana, em grande parte lastreada na indústria automobilística e no petróleo e seus derivados.

Mais uma vez, faz sentido a observação do catedrático Gustavo M. Baptista ao alertar que pode ter sido parte de uma estratégia geoeconômica dos EUA criar um ambiente hostil à expansão da cana de açúcar e de outros produtos, como a soja, por exemplo, que pode também ser transformada em biodiesel.

Na época, frear esse desenvolvimento na produção de combustíveis que não de origem fóssil, como o petróleo, em países abaixo da linha do Equador e na periferia norte-americana, poderia ser estratégico, uma espécie de“vacina” contra o que poderia se transformar em concorrência aos trustes que investiram maciçamente na exploração das reservas petrolíferas, dentro e fora dos Estados Unidos, e não estavam, técnica e operacionalmente preparados para controlar a produção de combustíveis extraídos de atividades agrícolas.

Em seu livro, Baptista denuncia que bilhões de dólares, canalizados através de ONGS, foram usados em propaganda para criar, no Brasil e mundo afora, uma opinião pública contrária às atividades econômicas, principalmente ligadas as áreas de beneficiamento e transformação (indústrias) e de produção de matérias-primas, ou seja, o que se convencionou chamar de agronegócios, particularmente a agricultura e a pecuária que dependem de grandes áreas de terras para se tornarem economicamente rentáveis.

Num exercício de imaginação, trazendo o que o livro descreve para a realidade mato-grossense (que não é citada especificamente na obra), dá para conjecturar que este Estado, campeão nacional na produção de soja, milho e detentor do maior rebanho de gado de corte do país, também tenha sofrido inibição em seu processo desenvolvimentista e que poderia ser maior, se não fora a existência de políticas alarmantes e restrititivas emanadas, lá atrás, por Bush e Al Gore, encarregado pelo então presidente norte-americano para disseminá-las no Brasil e outros países com potencial agropecuário.

Em tempo: ao contrário do que alguns podem pensar, o professor não defende a “detonação” irresponsável de florestas, como os próprios americanos e europeus fizeram em seus países, apenas ele não concorda com a “demonização” de atividades essenciais à produção de alimentos em escala global e nas quais o Brasil tem muito espaço para crescer e gente para desenvolvê-las.

Leia o livro e tire você também suas conclusões. A obra, no entender deste jornalista que assina a resenha, é particularmente interessante, necessária até, para os profissionais de Imprensa, em especial para aqueles que perderam a isenção crítica e se transformaram em militantes ecológicos. É igualmente recomendável para juízes de vários tribunais e promotores, frequentemente acionados para denunciar e julgar questões sobre o tema, que é uma agenda crescente nas demandas judiciais.

 

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